20 novembro, 2017

AD VITA CELEBRAMUS

Por:
Francisco de Assis Gondim
Regional CEARÁ












Numa epifania de vida,
Nunca por mim vivenciada;
Vejo a alegria dos seres a minha volta,
Num baile que celebra a volta das chuvas.

Os casais de sabiá procriam,
E alegram os humanos, banhando-se nas piscinas de cimento;
Um dia surge um imenso teju, de sua toca vizinha,
Revelando seu bordado negro, cintilante ao sol.

Ao longe vemos gargantas de arrecifes no oceano,
Que ganham vida durante as marés baixas;
Piscinas no meio do mar, cheias de vida e peixes,
Homenageando minha amada, senhora dessas ilhas imaginárias...

Bandos de galos-de-carnpina, currupiões, graúnas, periquitos,
 Até um pica-pau nos visita;
E como prenúncio do que se aproxima,
Também se multiplicam escorpiões, lacraias, aranhas e pequenos insetos.

Como no centro do paraíso, também existe a árvore da sapiência,
No cajueiro, surge a Boa constrictor, escondida entre os galhos;
Que de início assusta, mas logo revela sua natureza pacífica,
E comendo da fruta proibida, ouvimos um canto distante.

Do alto do castelo vermelho,
Ressoam murmúrios de um povo desaparecido;
Dunas gigantes avermelhadas,
E ate uma esfinge ganha forma na praia.

Dos sambaquis, ressurgem cachimbos e memórias,
São versos do Livro Vermelho, entoados no modo lócrio;
Ad mortem festinamus...
Vita brevis breviter in brevi finietur...




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...