22 novembro, 2017

ENSAIO FILOSÓFICO SOBRE A FELICIDADE

Por:
Antonio Soares da Fonseca Junior
Regional SÃO PAULO









A felicidade é um bem coletivo. A felicidade individual é egoísmo e, sobretudo, egocentrismo onde apenas um usufrui daquilo que pertence a todos.

Ela não existe e nem é alcançada porque, se assim o fosse, haveria um lugar determinado onde ela se encontraria e lá se iria comprá-la ou pegá-la.

Está presente quando se tenta construí-la através de ações que levam, invariavelmente, ao sucesso. Ela não está onde há o insucesso, a incompetência, a desorganização e a indisciplina. Seria incoerência se pensar que o prejuízo provoque um estado de felicidade.

É uma sensação plena de satisfação, de enlevo, de ascensão que dissolve a tristeza e o dissabor. É a sensação de que se atingiu o tudo, o píncaro, a meta programada ou além disto.

A felicidade feita através de dores, doenças ou perdas é um arrebatamento fanático de se sublimar as desgraças como motivo de crescimento espiritual ou religioso, deixando o lógico pela dogmatização do incerto.

Não se pode confundir sensação de bem estar com felicidade.  Um paciente, com muita dor, sente bem estar após aplicação de analgésicos; não significa que ele está feliz. Está melhor.

Poder-se-ia até afirmar que a felicidade é utópica, uma vez que ela não é perene. É momentânea ou passageira ou ocasional; dissipa-se com o primeiro dissabor, donde se conclui que quanto mais feliz maior a chance de melindres e mais fugaz se torna ela.

É um bem coletivo porque é uma obrigação governamental dar condições de vida com qualidade e com dignidade a todos os povos, independente de etnias, religião, crença e partidarismo.

Repito e enfatizo: felicidade individual é egoísmo, mas, sobretudo egocentrismo onde apenas um usufrui de algo que pertence a todos. 
Nenhum nível social ou cultural compra a felicidade, mas, ela pode ser construída a partir dos sonhos de cada um e do empenho em realizá-los. 

É um contágio benfazejo que deveria estar sempre em forma de epidemia.

Há pessoas que se sentem bem com a felicidade alheia e invejam, de forma sadia, este estado de plenitude; são os desprendidos que entendem que ela é plena e tê-la não significa dividi-la com outrem e ficar com uma menor porção.

Há outras pessoas que se sentem mal e invejam, conscientemente, querendo este estado de forma exclusiva para si, sem ter feito o menor esforço para construí-lo, achando-se únicas merecedoras e que os outros não têm este direito.

Querem exclusividade. São os usurpadores que esperam tomar aquilo que foi construído com seriedade.

Tê-la não é renunciar a um pedaço dela para dar a outrem, não é se despir do que é seu para cobrir um outro santo.Não se divide o indivisível.

Se ela fosse ou estivesse em forma de epidemia, todos os seres humanos seriam donos do mesmo cabedal, sem fracioná-lo, mas, aumentando a força de algo que se agiganta ao ser somado com os demais.

A felicidade pode ser construída a partir dos sonhos de cada um e do empenho em realiza-los.

O sonho é um embrião de um projeto.  Amadurece-se este sonho, tiram-se as arestas, medem-se os prováveis desacertos, divide-o, teoricamente, com outras pessoas, esperando-se críticas construtivas ou contrárias e, enfim, arma-se de coragem para realizá-lo envidando todos os esforços para o acontecimento desejado.

Quanto maior o empenho, maior a rapidez de ter a felicidade para usufruto; quanto mais preguiçosa e demorada for a realização mais longe fica o prazer de possuí-la. 

A elasticidade dela varia de acordo com a multiplicidade do projeto.

Sonho amplo, felicidade maior. Sonho pequeno, felicidade sem expressão. Portanto, cabe a cada um o tempo de tê-la para o próprio bem. Quanto mais ambicioso for o sonho, maior o projeto e maior a satisfação da construção.

Realizar um sonho é perder uma ilusão, contudo, ganhar uma certeza do bem realizado.


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