Por:
José Arlindo Gomes de Sá
Regional PERNAMBUCO
Ser criativo é
exatamente o oposto do lugar-comum. “É a capacidade de pensar fazendo um novo
arranjo de ideias novas. Ou seja, a partir de um conceito já estabelecido,
criar soluções e estratégias que nunca foram pensadas antes”, explica Ana Paula
Cuocolo Macchia, neuropsicóloga paulista.
Numa caminhada, de
repente, surge na cabeça uma ideia que resolve um problema sobre o qual se
andava matutando há dias. Esse é o segredo da criatividade: olhar o mundo de um
jeito diferente, não ter medo de inovar, explorar formas alternativas de fazer
as mesmas coisas, ousar trazer sonhos para a realidade.
É mais viável ser
criativo dentro de seu próprio mundo, da sua aldeia. Se não conhece as notas
musicais, a chance de criar uma melodia é praticamente zero. O físico Einstein,
por exemplo, tinha um problema teórico para resolver em suas pesquisas, e o
fato de ter estudado física deu a ele a bagagem necessária para lidar com isso.
Precisou de muita criatividade, mas também de certo conhecimento, para criar a
Teoria da Relatividade. Já o talento artístico de Picasso, associado à sua
criatividade, permitiu que ele criasse o quadro Cabeça de Touro, no qual usou
um selim e um guidão de bicicleta para formar a cabeça do animal.
O ambiente é
importante para a formação da criatividade. Se o lugar que você frequenta está
aberto a novas ideias, as chances de criar conexões inusitadas são grandes. Mas
é impossível ser criativo se não se admitir a possibilidade de errar.
“Criatividade implica fazer algo novo, diferente, que ainda não foi feito. E,
se ainda não foi feito, pode não dar certo. É preciso aceitar a falha como uma
das etapas dos processos de inovação”, continua a neuropsicóloga. E, como
ensinou Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa: “O único sentido
íntimo das coisas \ É de elas não terem sentido íntimo nenhum”.
Sob uma aparência
inofensiva, inventar histórias é uma maneira de exercer a liberdade e de lutar
contra os que gostariam de aboli-la. Essa é a razão pela qual todas as
ditaduras tentam controlar a literatura, aprisionando-a na camisa de força da
censura.
Qual a origem dessa
disposição para inventar seres, lugares imaginários e histórias? Estou
convencido de que quem se entrega à elucubração de vidas distintas daquela que
vive na realidade demonstra, dessa forma indireta, sua rejeição à vida como ela
é e ao mundo real, bem como seu desejo de substituí-los por outros, fabricados
por sua imaginação e desejos.
O primeiro grau da
poesia lírica é aquele em que o poeta exprime o sentimento. Se ele tiver vários
sentimentos, exprimirá uma multiplicidade de personagens, unificadas somente
pelo temperamento e estilo. Um passo a mais, na escala poética, e temos o
poeta, que é uma criatura de muitos sentimentos, mais imaginativo que
sentimental, vivendo cada estado de alma antes pela inteligência que pela
emoção.
Mas não nos apressemos. As histórias escorrem
no ritmo dos olhares e dos pensamentos. Se as coisas são as coisas e mais nada,
o ofício do escritor será não exatamente falar delas, mas deixá-las falar nele.
Assim como um dia nos falou o poeta Manoel de Barros: “Eu sei dizer sem pudor
que o escuro me ilumina. Assim, ao poeta faz bem desexplicar, tanto quanto
escurecer acende os vaga-lumes”.
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