07 dezembro, 2017

SUB-MISSÃO

Por:
Sérgio Gemignani
Regional SÃO PAULO











Submissão, submeter-se, obedecer sem nenhuma reação não é próprio da espécie humana.

Mecanismos são disparados para conter essa ação sobre o seu eu, seu ego, sua alma, que podem ter diferentes graus de temporalidade e intensidade, bem como de sentido (para si ou para fora).

Pessoas espontâneas e as crianças, de um modo geral, tem uma resposta pronta, imediata, quase impulsiva, que faz o agente que impõe a submissão retroceder, ou aumentar a pressão. A energia gasta e liberada pode ser intensa, mas é descarregada e não gera perdas posteriores.

Pessoas mais controladas podem usar parte da energia dessa reação de modo contínuo, tentando assimilar a condição imposta, ou racionalizar saídas para evita-las como alternativas e/ou enfrentamentos dialogais, ou com base em argumentos lógicos que a protejam dessa imposição.

Quanto à intensidade da reação existem limites imponderáveis, quando se observam reações catastróficas, visíveis na história da humanidade recheada de guerras, batalhas e contendas, que ceifaram muitas vidas. A intensidade voltada para si também pode ser destrutiva e pior que a morte. É a anulação de sua própria individualidade. Esse tipo de indivíduo em nada se parece externamente com os famosos “zumbis”, mas internamente não poderiam ser mais semelhantes. Perderam-se os parâmetros de individualidade. Socializou-se demais, passou a ser parte de uma massa disforme de entes que são conduzidos passivamente para um destino não escolhido e de alternativas apagadas. Segue por uma estrada sem paisagem. Um estado de estupor, vigil; um paradoxo da vida, apesar da morte; um estado de decomposição dos elementos que estruturam a alma.

Por outro lado, há a pressão: algo ou alguém que se impõe. De onde vem essa força e como ela se constitui? Na maioria das vezes ela é concreta, sensível e avassaladora, mas há outros tipos, muitas vezes abstrata, disforme, impessoal, indetectável. Essa, talvez, seja a maior dificuldade de se escapar de suas garras. Muitas ocasiões, ou circunstâncias, foram propícias para sua construção, como uma quimera, um quebra-cabeça, que ao final se mostra assustador, ou determinante de uma posição de esquiva, ou simplesmente de aceitação conformista.

Para uma solução terapêutica invocamos a razão - nem sempre acessível de imediato, muitas vezes nebulosa, obnubilada, submersa, intocável à luz meridiana. Precisa de ajuda, uma outra razão externa, para o apoio contínuo e sistemático. Eliminando as aparas, cicatrizando feridas, fortalecendo energias intraduzíveis para a massa corpórea vigente, assim atua a razão. Medicação bem dosada. Ou pode intoxicar!  Será necessário cuidado, pois em excesso torna-se forte aliada da pressão, que era só externa, e transformar a solução, a cura, em uma ilha inabitável de si mesmo. Incomunicável, alheio, indiferente: um outro lado da mesma moeda. Que apesar de moeda, não tem valor nenhum!     



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