16 junho, 2017

MEMÓRIA DE RIO

Por:
Pedro Henrique Saraiva Leão
Regional CEARÁ
E-mail pedrohsaraivaleao@hotmail.com














1. já vais, João? o sol seca o orvalho e pare a noite, Maria
2. mas os pássaros 'inda dormem João porque estão na
3. barriga da cobra! a cobra bebeu o leite da vaca dentro dela
4. a vida é só uma cobra enrolada antes do bote Maria
5. melhor esperar o rio não dá pra nadar na estrada, né, João? e se
6. o rio atrasar esperando a chuva esperar as nuvens! chuva
7. e folhinha de calendário se arranca todo dia, viu, João?.
8. rio só tenho as lágrimas estas nunca secam e perguntas
9. já vou se nunca cheguei? sou sonhado prometido Maria
10. o rio vai chegar, não mora nem demora 'tá sempre vindo
11. nem e mais surpresa solta-se vez em onde João mas vou
12. nadando no pó nada lhe dando que tudo me deu; há muito
13. sinto cheiro de chão nas narinas e na memória os otorrinos
14. dizendo rinite Os psiquiatras falandoemfreud Maria não
15. esqueça as ilusões é bom nadar com elas no bolso ninguém
16. confia em certeza João agora atravessada a praça certeza
17. e o que levo, última; eterno e ter na mente, o tempo que
18. nem passa murcha e o doce não sentimos mais, e F de foi,
19. assim mesmo, sem a perna de baixo, ou assim: F, qual asa
20. só do lado do querer, derradeiro inquilino, Maria quede-se
21. mais João não Maria, já vou.
22. Bem... te vi.


N.b. Isto e para os compositores Claus Ogerman, alemão (1930); Arvo Part, da Estônia (1935); e Philip Glass, americano (1937)


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