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06 abril, 2017

ÁGUA DE MARÇO

Por:
Antonio Pádua Silva Sousa
Regional MARANHÃO
E-mail: padua@elo.com.br





As águas de março cumpriram o seu desiderato: entregaram ao mês de Abril uma Matriz molhada e vestindo um verde novo em folha. O Rio Buriti, há tantos anos adormecido na sua calha, voltou aos becos da cidade para olhar de perto o asfalto, que por força dessas águas, está sendo levado pelas enxurradas que descem os morros, deixando à mostra o piso da cidade cheio de crateras e lama, que necessitarão de reparos urgentes sob pena de inviabilizar o tráfego nas ruas. 

As pedras que jaziam cobertas por esse derivado do petróleo, de péssima qualidade é bom que se diga, e que as águas levaram, vieram daqueles morros e pelas mãos de operários transformaram os antigos areais num calçamento que logo se revelaria o algoz dos sapatos da mulheres. 

A presença de carretas de alta tonelagem circulando na cidade contribui para piorar a situação. A Rua Rio Branco não foi preparada para receber esses monstros de rodas. Some-se ao prejuízo urbano, o desassossego das famílias, agredidas pela intranquilidade que tomou conta de nossa cidade.

Há de haver uma maneira de retirar essas monstruosidades das nossas ruas. Não ganhamos nada com elas. Basta-nos as infernizantes motos e seus aloprados condutores para transformarem nossa cidade, outrora tão pacata, nesse inferno urbano de hoje.

Mas voltando às águas. É bom ver o Rio Buriti cheio. É como se a natureza nos desse uma nova chance para pensarmos nesse nosso irmão líquido. Os homens não têm o desprendimento da água. Dela depende, mas não a respeita. O nosso rio é um exemplo desse descaso. Essas águas passarão, quando virão outras? Pensemos no nosso rio.

Abril é mês de chuvas mil. Esperemos que assim o seja. Tudo indica que este ano “os dias grandes” serão de fartura. Que o mês de maio nos traga águas limpas e sem raios. A natureza fez a sua parte, façamos a nossa. Esse inverno rico em águas mostra-nos “que Deus aperta, mas não enforca”. O mal é mesmo coisa do homem.



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